terça-feira, 2 de agosto de 2011

Face...Maria Kátia saldanha

FACE
Maria Kátia Saldanha
Face deslinhada,
Sulcos cravado nos lábios,
Sem concessão dos risos antigos
Com manhãs inclaras, em luas já pagas
Morte anunciada, amorfinada na morfina,
Corpo no chão retorcido.
Esqualida, alma cansada
Das dores desenfreadas,
Esquartejada dos punhais
Dos quartos-crescentes, das mãos minguantes
Das luas cheias, em quadro de menina, distantes
Sem lágrimas, já seca, sem tristezas
Com olhos sem remorsos,
Distancia-se dos afagos,
De quem vê nas ações pena,
Lucidez altiva, o quanto resta
Sem lamentações entrega-se
Braços luxados, veias expostas
Flor seivada, antes do tempo podada,
Duas floradas, existentes, resistentes
Da sua semente deixada
Sem esperanças, redige cartas,
Não há amargor, não há temor
Removeu os porquês, resta cada dia viver,
Sem surpresas, sem liberdades,
Sua voz não fala, não agride
Vestigios de olhos alegres
Tão antigos...securlamente antigos

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