terça-feira, 3 de julho de 2012

Orgulho...Maria Kátia Saldanha

ORGULHO 
Maria Kátia Saldanha
O orgulho se despiu dos véus,
não há queixumes de quem em ouro se formou.
Não existira panos acobertados, só fios d'ouro em andrajos
Linhos finos, tecidos nas costas de sombreado passado.
Retirem as finas vestes dos retirantes que esqueceram o pau de arara,
a boca solitária, o sol a pino em cabeça de palha.
Deixem tombar encardido lenço que não limpou o suor alheio
Secos trechos onde a lua desistiu dos seus raios lançar
Descubram os seres que rezam improperios ante face já extinta de vida.
Já não dorme, guarda teus tesouros,
que amealhastes aos gritos nas noites soturnas
dos campanarios da ingratidão
Desperta! Já vai longe a estrada,
a vida pouco a pouco se esvai em cama dura e fria
Mas, não esqueças das mãos que cobriram-te
com os retalhos do seu corpo pobre e raquitico.

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