Um rio II (O igapó*) Flávio Morgado. |
“Corre um menino. Quer ver o rio.
O rio já o vê todos os dias.
Mas ele não.
E corre, corre pra não esquecer.
Se nunca o viu
Lembrar também é rio.
(Pode também passar correndo)
Mas o rio nunca esquece,
E deixa lembrança.
O menino corre, predestina.
Esbaforido à beira do rio
Chega ao igapó:
É poça (ranço de rio)
É poça (pedaço de curso)
É poça (lembrança do rio)
O rio correu. O igapó esperou.
O menino pára a beira da poça
Chora (também faz poça)
E dorme (também repousa água)
O sono dos dois é velado
Por tudo que se faz lembrar
Que é vida, que é morte.
Por tudo que não quer correr.
...por isso, um poema.”
O rio já o vê todos os dias.
Mas ele não.
E corre, corre pra não esquecer.
Se nunca o viu
Lembrar também é rio.
(Pode também passar correndo)
Mas o rio nunca esquece,
E deixa lembrança.
O menino corre, predestina.
Esbaforido à beira do rio
Chega ao igapó:
É poça (ranço de rio)
É poça (pedaço de curso)
É poça (lembrança do rio)
O rio correu. O igapó esperou.
O menino pára a beira da poça
Chora (também faz poça)
E dorme (também repousa água)
O sono dos dois é velado
Por tudo que se faz lembrar
Que é vida, que é morte.
Por tudo que não quer correr.
...por isso, um poema.”
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