quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

UM SOM (Maria Kátia Saldanha)

Maria Kátia Saldanha

 UM SOM
 Maria Kátia Saldanha 

Às vezes um som que so pertence aos bambuzais
Perpassam entre os arames farpados das moitas
deslizando tal uma onda sobre o vazio.
A vida abomina os gritos doridos da gula noturna
dos torpes olhos, que entranha nas venezianas
encravando nos sinistros mistérios.

Torres perdidas, cúpulas que ressoam largamente
os "ais" claudicantimente indesejados,
é um abismo os ecos desfeitos em lábios mortos,
impiedosamente mortos.
E seus gritos resitentes ressuscitam.

É uma ressonância transgressiva
que cruza o nada com dia algum , espera...
respingos, de uma talvez luz divina.

Tudo muito silencioso, plantam angustias
sem colheita, finamente imperfeita,
nada mais domina.
 Mas, há a noite
ilusão dos desesperos soltos, surdamente oco.
Já não existe atalhos, seus gritos ecoaram, ecoam
nas noites intermitentes.

E neste bambuzal de longividade,
o vento ecoa seus afeitos gritos.
Que com seus acordes, sacode
as noites frias
 sem o céu presente

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