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ALMA PISADA
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A minha alma esfarrapada
espalhou-se na calçada.
Pisa e repisa quem passa
sem lhe emprestar atenção.
Pisa, repisa e repassa
quem passa na contra mão.
Quem passa, passa apressado
segue noutra direcção,
mas no pisar descuidado
leva tudo de roldão.
Quem passa pisa e repisa,
porque ora vem ora vai,
passa e repassa, desliza,
quase voa, mas não cai.
E a alma já destroçada
mais destroçada ‘inda fica,
pois cada pé na calçada
pisa, pica e repenica.
Minha alma, triste, dorida,
pode ter muita mazela,
pode ser alma despida,
ficar nua de farpela,
pode ser coisa mesquinha,
que ninguém se digna olhar,
como uma altiva rainha
a quem não deixam reinar.
Repassa, pisa e repisa,
repica e torna a picar,
pisa, repassa e desliza.
Todos a calcam aos pés.
Todos a podem pisar,
agora que está no chão,
mas, tu... pisá-la outra vez?...
Isso não! Isso é que não!
Tito Olivio
Tito Olivio
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