domingo, 3 de julho de 2011

Vitral...Henrique Alves

Vitral
 Henrique Alvez
Penso, logo existo
Existo, logo sinto
Sinto, logo sofro
Sofro, logo minto
Minto, logo morro

Morro logo durmo
Durmo logo sonho
Sonho logo viajo
Viajo logo o encontro

E ao encontrar-te
logo o vejo
Rosto de vitral
Multicolor
Da cor da minha dor
Multiforme
De minha vida, meu senhor

E é ao contemplar a hórrida superfície
Que percebo o quão incógnito é o ser
O quão lúcido é o sofrer
E o quão desnecessário é o viver

Pois se a vida é feita de boas lembranças
Quando o verei em meio a flores
Nesse tempo sem valores
Onde para sempre se foi a esperança?
Que recordações trago comigo?
E que se vê nesse espelho de cores?
Apenas cores.

Mas de que adianta as cores
Se sozinhas se encontram?
Seu terno contexto foi perdido
Seu desejo foi para sempre rompido
E para nada mais podem dar qualquer sentido.

É nesse rosto
Rosto de vitral
Janela multicolor
Mas sem nenhuma cor
Que apenas enxergo a escuridão
De uma vida perdida
Que mesmo envolta à cores
Só consegue aguardar a própria partida.

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