quarta-feira, 6 de julho de 2011

Querido diário, maldito proprietário... Henrique Alves




Pedro Nunes
Querido diário, maldito proprietário.
Henrique Alvez
Querido diário...

Hoje foi mais um dia ordinário e desprovido de pasmos, porém deveras fecundo, pois tudo correu como o esquematizado.

É por isso que lhe digo (Por mais que um caderno não possa absorver bons conselhos): Planejar é uma arte e versá-la é o ato mais sensato que pode ter um ser humano.

Pois bem, se virar a página saberá o que pretendia que se incidisse hoje, por isso irei direto à execução de meu grandioso plano.

Carmen estava lá, linda como todos os dias. Eram seis horas da manhã e uma grosseira mochila a deixava ligeiramente corcunda. Sempre achei que os milhares de chaveiros fizessem uma considerável diferença no peso que o item fazia sobre suas costas.

Foi então que o ônibus finalmente chegou. Era hora de executar a primeira parte do plano.

Observando-a por poucos dias (os quais me esqueci de narrar a você) pude perceber algumas coisas que proporcionariam meu sucesso nesta primeira etapa.

1 – Havia uma velhota e uma aleijada que sempre chegavam pouco depois das 6:15 e pouco antes que chegasse a condução.

2 – O primeiro a entrar sempre era o mesmo, um homem alto, magro e de olhar penetrante. Também era o primeiro a saltar em todo o percurso, junto a uma criança de uns sete anos que embarcava no ponto seguinte.

3 – Carmen era gentil, e fazia questão de entrar por último.

4 – Ela sempre viajava de pé e no mesmo lugar.

Entrei no ônibus logo atrás da aleijada, fazendo questão de ajudá-la e dando a entender que estávamos acompanhados. Apressei-me em sentar ao lado do homem de olhar penetrante e, como o esperado, Carmen parou do outro lado, exatamente como fizera todos os dias em que eu a observei encantado por sua beleza e pela forma atraente como se comportava.

A cutuquei, fazendo-a virar seu belo rosto sorridente em minha direção. Um pouco extasiado, perguntei se podia levar sua mochila e agradecida, virou-se completamente, entregou-me o trambolho e preparou-se para viajar de pé a minha frente.

Três pontos se passaram, e os dois primeiros a descer o fizeram. Um deles era o homem ao meu lado, eu abri passagem para que saísse e logo depois migrei para o banco abaixo da janela.
Então olhei para os olhos dela, lancei o olhar mais convidativo


que consegui manipular e, sem dizer uma só palavra,
a convidei a se sentar.

Apartir daí eu precisei confiar em mim mesmo para que tudo continuasse dando certo. E eu consegui. (risos)

Fomos conversando até o final do percurso do ônibus, onde os dois desceriam para os próprios destinos. Perguntei quando ela estaria disponível, esperando levar uma patada descomunal que arruinaria meus planos, mas ela apenas respondeu que depois da escola precisava ir à sua aula no curso de inglês,
e que saía de lá pelas 15:30.

Com seu número salvo na memória do celular, segui rumo ao meu destino rotineiro, esperando ansiosamente que os ponteiros do relógio formassem um ângulo de 90 graus (gostei disso).

15:30. Fui até a porta do seu curso de inglês. Ela pareceu animada em me ver, o que me deixou muito mais feliz e seguro. Perguntei se queria comer alguma coisa, ela respondeu positivamente e decidimos tomar um milk-shake (ninguém come milk-shake, mas o importante é o êxito do plano).

Ao chegarmos, parei no pequeno quiosque de milk-shake que ficava num dos cantos da entrada da lanchonete. Hora da segunda parte do plano que dependeu do acaso (e de minha evidente virilidade) para prosseguir, rsrsrsrs (ainda não sei o que me faz rir da maneira como faço no computador... Faz parecer tão imaturo).

Pedi que se sentasse e esperasse eu levar as duas bebidas na mesa,
e ela o fez.

Após receber os pedidos, deixei algumas moedas caírem propositalmente no chão. Com isso,o funcionário me proporcionou tempo suficiente, abaixando para recuperá-las.

Me dirigi a mesa e a entreguei o milk-shake que pediu. Passados poucos minutos de conversa, finalmente ela cambaleou
e despencou em direção ao chão.
Contendo o sorriso, eu simulei preocupação e a peguei no colo, disse a todos que era o pai dela e que tudo estava bem. A enfiei num dos táxis que estavam parados (fazia parte do plano escolher uma lanchonete em frente a um ponto de táxi), e ainda fingindo desespero, falei para que nos levasse para casa.
Finalmente chegamos e o plano atinge seu grande clímax.

Agora ela está amordaçada.

Estou apenas esperando que acorde para drenar sua doce inocência com toda a minha experiência.....

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