Fauzinha
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Taberna - Fernando Pessoa
TABERNA
(Fernando Pessoa)
Eu não sou louro,
Nem sou moreno,
Nem sou rico nem pobre
Sou Poeta ...
O que ficou ao canto da taberna.
O que entrou e se sentou,
à espera
Não do pão ou do vinho
(Ah ! ... o Poeta hoje não tem fome !)
Mas de que
alguém viesse,
Alguém que precisasse Amor
E lhe pedisse .
Mas ninguém vem ...
Tenho pena do Poeta,
Ao fundo da taberna,
Mudo, à espera
...
De que lhe serve o tanto Amor que tem
Se ninguém aparece ?
Ai alegria tinta de tristeza,
Ai suave Amor descido,
Por quem não vem ninguém pedir-te, ansioso,
Para que saibas depois a merecido
E tenhas o teu gosto verdadeiro ?
Ah suave Amor, sombra do Céu,
Por que não vem com quem eu te reparta,
Para ser convencido e pleno direito
Que vá chamar-te meu ?
Tenha, dó do Poeta !
Venham, pobres ou ricos, os pobrezinhos de Amor,
Venham ser a moeda
Com que o Poeta pague o seu Amor.
O Poeta do fundo da taberna...
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