"Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado, Mansa corrente deleitosa, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado,
Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mas vagarosa para o mar salgado.
Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;
E talvez entre impávidas falanges testemunhas, farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganges.
(Bocage)
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| Homenagem aos Poetas !! |
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| Rio Sado M M B du Bocage |
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado,
Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mas vagarosa para o mar salgado.
Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;
E talvez entre impávidas falanges testemunhas, farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganges.
(Bocage)
| A Um Ausente Drummond de Andrade |
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste
| Verdes são os campos (Luís Vaz de Camões) |
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
| QUERO-TE PARA SONHAR Fernando Pessoa |
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.
A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.
Dorme, dorme. dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.
Menina de olhos tristes,
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| Teu Nome Gabriel de Sousa |
flor por vezes envenenada.
Em teu nome se mata,
por teu nome se morre.
Podem espezinhar tuas nove letras...
Podem calar minha boca
e cortar minhas mãos
que eu com os dentes te escreverei.
Nome criado para ser honrado,
não te deixarei morrer
porque a minha mão não treme
e o meu querer jamais há-de vacilar.
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A Vocação Estóica João Rui de Sousa |
Quanto sonho ínvio tive de sonhar!
Quanta pobreza foi necessário suster ou afugentar!
Quantas vergonhas e ofensas tive de pascer c
como a um rebanho longe e distraído!
Quantos (quantos) esforçados gestos
que eram íntimos desastres!
Quantas (quantas) pedradas estridentes
tive de evitar!
Quantas conversas frívolas tive de atender
ou aplacar!
Quantas águas turvas a beber!
E ter que ser cordato em tudo isso!
E ter que suportar!
| Poema à boca fechada José Saramago |
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
| O DESFECHO Machado de Assis |
E súplice pediu a eterna compaixão,
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.
Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião,
Uns cingidos de luz, outros ensangüentados...
Súbito, sacudindo as asas de tufão,
Fita-lhe a água em cima os olhos espantados.
Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.
Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem.
Hoje, decidi respirar Poesia ...
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| Respirar Poesia Quim Trovador ( Poeta e Sonhador ) |
Fui ver nascer o Sol ,
despontar a Alvorada ...
Recolhi os restos da Madrugada
E sorvi teu gosto a Maresia ...
Hoje decidi que te quero !
Que vou esperar por ti
Como espero a cada noite
Deitar-me em teu leito,
Até de madrugada ...
Hoje decidi respirar poesia,
Cheirar teus cabelos,
Beijar tua boca,
com sabores da maresia ...
Naquela fantasia louca
De respirar Poesia
Hoje, decidi !
Serra-Mãe, 2008
| Soneto da Rosa Vinícius de Moraes |
Vem, como o astro matinal, que a adora
Molhar depuras lágrimas de aurora
A morna rosa escura e apetecida.
E da fragrante tepidez sonora
No recesso, como ávida ferida
Guardar o plasma múltiplo da vida
Que a faz materna e plácida, e agora.
Rosa geral de sonho e plenitude
Transforma em novas rosas de beleza
Em novas rosas de carnal virtude.
Para que o sonho viva da certeza
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza.





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