domingo, 10 de agosto de 2014

Poema Enjoadinho...Vinicius de Moraes

Poema Enjoadinho
Vinicius de Moraes
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos 
Como sabê-los? 
Se não os temos 
Que de consulta 
Quanto silêncio 
Como os queremos! 
Banho de mar 
Diz que é um porrete... 
Cônjuge voa 
Transpõe o espaço 
Engole água 
Fica salgada 
Se iodifica 
Depois, que boa 
Que morenaço 
Que a esposa fica! 
Resultado: filho. 
E então começa 
A aporrinhação: 
Cocô está branco 
Cocô está preto 
Bebe amoníaco 
Comeu botão. 
Filhos? Filhos 
Melhor não tê-los 
Noites de insônia 
Cãs prematuras 
Prantos convulsos 
Meu Deus, salvai-o! 
Filhos são o demo 
Melhor não tê-los... 
Mas se não os temos 
Como sabê-los? 
Como saber 
Que macieza 
Nos seus cabelos 
Que cheiro morno 
Na sua carne 
Que gosto doce 
Na sua boca! 
Chupam gilete 
Bebem xampu 
Ateiam fogo 
No quarteirão 
Porém, que coisa 
Que coisa louca 
Que coisa linda 
Que os filhos são!

MAÇANETA...Rafael Gióia Junior... Homenagens aos Pais.

MAÇANETA
Não há mais bela música
Que o ruído da maçaneta da porta
Quando meu filho volta para casa.
Volta da rua, da vasta noite,
Da madrugada de estranhas vozes,
E o ruído da maçaneta,
E o gemer do trinco,
O bater da porta que novamente se fecha,
O tilintar inconfundível do molho de chaves,
São um doce acalanto,
Uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os olhos,
Posso afinal dormir e descansar.
Oh! A longa espera,
A negra ausência,
As histórias de acidentes e assaltos
Que só a noite como ninguém sabe contar!

Oh! os presságios e os pesadelos,
O eco dos passos nas calçadas,
A voz dos bêbados na rua
E o longo apito do guarda,
Medindo a madrugada,
E os cães uivando na distância,
E o grito lancinante da ambulância!
E o coração descompassado a pressentir
E a martelar
Na arritmia do relógio do meu quarto
Esquadrinhando a noite e seus mistérios. 
Nisso, na sala que se cala, estala
A gargalhada jovem
Da maçaneta que canta
A festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa,
Com todos os ruídos secundários.

-Oh! Os címbalos do trinco
E os clarins da porta que se escancara,
E os guizos das muitas chaves que se abraçam,
E o festival dos passos que ganham a escada!
Nem as vozes da orquestra
E o tilintar de copos,
E a mansa canção da chuva no telhado
Podem sequer se comparar
Ao som da maçaneta que sorri,
Quando meu filho volta.

Que ele retorne sempre são e salvo,
Marinheiro depois da tempestade,
A sorrir e a cantar.
E que na porta a maçaneta cante
A festiva canção do seu retorno
Que soa para mim
Como suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim meu coração se aquieta,
Posso afinal dormir e descansar.

Poeta Gióia Júnior

Homenagem ao Meu Pai...

Feliz Dia dos Pais !

Oração do Dia!!

Arte da Fauzinha...Feliz Dia dos Pais!

sábado, 26 de julho de 2014

Avô(quintilha) Gabriel de Sousa

AVÔ
(quintilha)
Eu voltei a ser criança
E troquei muitos afectos,
Renasceu-me a esperança,
Reganhei a confiança,
Quando nasceram meus netos!


Gabriel de Sousa